Esteatose hepática é acúmulo de gordura no fígado. A nomenclatura atual usa o guarda-chuva SLD, steatotic liver disease. Quando a esteatose ocorre junto de fatores cardiometabólicos, como sobrepeso, diabetes tipo 2, hipertensão, triglicerídeos elevados ou HDL baixo, o termo atual é MASLD, metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease. MASH substitui o antigo NASH quando há inflamação e lesão hepatocelular.
Primeiro, estratificar risco
O principal perigo não é apenas “gordura no fígado” no ultrassom. A pergunta clínica é se existe inflamação, fibrose avançada, cirrose ou risco cardiometabólico elevado. Scores como FIB-4, elastografia, exames laboratoriais e avaliação de álcool, hepatites virais, medicamentos e doenças metabólicas ajudam a separar baixo risco de casos que precisam de hepatologista.
O que tem mais impacto
Perda de peso sustentada, atividade física, melhora da alimentação, controle de diabetes, pressão, lipídios e redução de álcool quando aplicável são o eixo do cuidado. A literatura cita melhora de esteatose e inflamação com perda de peso relevante, especialmente em torno de 7 a 10% ou mais. Exercício pode ajudar mesmo antes de grande perda ponderal, sobretudo em gordura hepática e resistência à insulina.
Onde os suplementos entram
A revisão Cochrane sobre suplementação nutricional em NAFLD/MASLD é cautelosa: muitos estudos são curtos, heterogêneos e medem enzimas ou imagem, não cirrose, mortalidade, descompensação hepática ou câncer. Por isso, nenhum suplemento deve ser apresentado como tratamento padrão capaz de mudar sozinho a história natural da doença.
Ômega-3 pode ajudar triglicerídeos e talvez gordura hepática em curto prazo, mas não resolve MASLD. Vitamina E tem discussão em subgrupos específicos de MASH, porém altas doses prolongadas exigem avaliação de risco. Probióticos e simbióticos têm racional pelo eixo intestino-fígado, mas cepas e combinações variam. Berberina, silimarina, resveratrol, chá verde e outros compostos mostram sinais em ALT, AST, HOMA-IR ou esteatose em estudos pequenos, sem prova robusta de benefício clínico duradouro.
Como interpretar a matriz
Favorável em enzima hepática ou ultrassom não significa regressão de fibrose, menor cirrose ou menor risco cardiovascular. Misto indica que os efeitos dependem de população, dose, duração, dieta, perda de peso e método de medida. Em MASLD, o desfecho mais importante costuma ser risco metabólico e fibrose, não apenas ALT.
Decisão prática
Antes de testar produto, defina o alvo: triglicerídeos, glicemia, enzimas, gordura hepática por imagem ou sintomas. Não comece vários suplementos ao mesmo tempo e não use fórmulas “detox hepático” como substituto de investigação. Doença hepática, uso de anticoagulantes, diabetes em tratamento, gestação, lactação e polifarmácia exigem decisão individual.