Creatina é um composto produzido no fígado, rins e pâncreas e obtido em menor quantidade pela dieta. Nos músculos, uma parte é armazenada como fosfocreatina. Quando um esforço intenso aumenta a demanda de energia, a fosfocreatina ajuda a regenerar ATP rapidamente. Essa função explica por que a pesquisa se concentra em séries de força, sprints, potência e capacidade de sustentar repetições de alta intensidade.
O mecanismo não é um atalho para hipertrofia
Mais disponibilidade de fosfocreatina pode permitir pequena melhora no volume ou qualidade do treino ao longo de semanas. A adaptação muscular, porém, continua dependendo do estímulo mecânico, energia, proteína, sono e recuperação. Creatina não aumenta testosterona de forma confiável e não substitui um programa de treino. Ela também não muda diretamente a gordura corporal.
Massa magra, água e músculo são desfechos diferentes
A meta-análise de 35 ensaios randomizados e 1.192 participantes encontrou aumento médio de 0,68 kg de massa magra no conjunto e de 1,10 kg quando a creatina acompanhou treino resistido. Sem exercício, não houve efeito estatisticamente claro. Massa magra inclui água e outros componentes além do músculo; por isso, o aumento inicial da balança não deve ser tratado como hipertrofia pronta.
Quando a pergunta é hipertrofia por métodos de imagem, a estimativa é menor: uma revisão de 10 estudos e 44 desfechos encontrou um efeito muito pequeno, porém favorável, depois de pelo menos seis semanas de treino resistido. Essa diferença é importante: a evidência suporta ganho adicional modesto, não transformações rápidas.
Força, idade e objetivo
Em adultos mais velhos, oito ensaios com 482 participantes mostraram melhora de força de membros inferiores e massa magra quando creatina foi somada ao treino resistido. A força de membros superiores não melhorou de modo claro no conjunto total. Estudos em envelhecimento não demonstram, por si só, prevenção de quedas, incapacidade ou sarcopenia diagnosticada.
Além do músculo
Há pesquisas sobre cognição, humor, dano muscular e saúde óssea, mas a base é mais heterogênea. Na depressão, a meta-análise de 11 ensaios e 1.093 participantes encontrou redução média pequena, abaixo do limiar clínico usado pelos autores e com certeza muito baixa. Para recuperação muscular, a síntese concluiu que o benefício agregado é limitado e inconsistente. Para densidade mineral óssea, não há efeito adicional claro em adultos mais velhos.
Como ler a matriz abaixo
A força da evidência pertence ao par creatina–condição. Um resultado favorável para massa magra não autoriza concluir benefício para depressão, memória ou recuperação pós-exercício. A matriz separa o desfecho estudado, o tamanho das amostras, o período e os limites da inferência.
Mecanismo
A creatina monohidratada eleva os estoques de creatina e fosfocreatina. A fosfocreatina participa da ressíntese rápida de ATP em esforços curtos e intensos, podendo favorecer maior qualidade ou volume de treino ao longo do tempo. O mecanismo não substitui sobrecarga progressiva, energia, proteína ou sono.
Onde o sinal é mais claro
O sinal mais consistente é pequeno e favorável para massa magra e medidas de hipertrofia quando a creatina acompanha treino resistido. Em adultos mais velhos, há sinal para força de membros inferiores e massa magra. Os benefícios não são uniformes entre idade, sexo, experiência de treino, desfecho e método de medida.
Limitações
Massa magra não é sinônimo de músculo: água intracelular pode elevar peso e estimativas de composição corporal. Sem exercício, a meta-análise não encontrou ganho claro de massa magra. Resultados para depressão, recuperação, cognição e saúde óssea são mais limitados, heterogêneos ou neutros.