“Fortalecer a imunidade” é um objetivo vago, mas mensurável de forma indireta: com que frequência você pega infecções comuns e quanto tempo elas duram. Zinco e vitamina C são os dois suplementos mais estudados para esse fim, com papéis bem diferentes entre si.
Zinco: encurta a duração do resfriado já em curso
Uma metanálise de dados individuais de 3 ensaios randomizados controlados por placebo, com 199 pacientes com resfriado, encontrou que pastilhas de acetato de zinco (doses de 80-92 mg de zinco elementar por dia) reduziram a duração do resfriado em cerca de 2,7 a 2,9 dias, comparado a placebo (resfriados que normalmente duram cerca de 7 dias). O efeito não variou por alergia, tabagismo, gravidade inicial, idade, sexo ou etnia — mas o zinco precisa ser iniciado logo no início dos sintomas para funcionar.
Vitamina C: efeito pequeno na maioria das pessoas, mas grande em quem está sob estresse físico extremo
Uma revisão Cochrane clássica encontrou que a suplementação regular de vitamina C reduziu a duração dos resfriados em cerca de 8% em adultos e 14% em crianças, mas não reduziu a incidência de resfriados na população geral. A exceção notável: em pessoas expostas a estresse físico extremo de curta duração (maratonistas, esquiadores, militares em treinamento subártico), a vitamina C reduziu a incidência de resfriados pela metade.
Como pensar sobre isso
Zinco funciona como tratamento, não prevenção — vale ter à mão para começar a usar assim que os primeiros sintomas aparecerem. Vitamina C tem efeito modesto na maioria das pessoas, mas pode valer mais a pena para quem se submete a exercício físico intenso e prolongado. Nenhum dos dois é uma solução mágica para “turbinar a imunidade” de forma geral — o benefício real é específico e limitado.