Gota é a forma mais comum de artrite inflamatória, causada pelo depósito de cristais de urato monossódico nas articulações quando o ácido úrico no sangue está cronicamente elevado. Ácido úrico alto sem crises (hiperuricemia assintomática) também importa: mesmo sem dor articular, associa-se a maior risco cardiovascular, renal e metabólico.
Ácido fólico e probióticos: maior redução de ácido úrico
Uma metanálise em rede de 2025, reunindo 30 ensaios clínicos randomizados e 44.972 pacientes, comparou 13 suplementos dietéticos para hiperuricemia e gota. Ácido fólico teve a maior redução de ácido úrico entre todos os suplementos testados, seguido por probióticos. Ambos foram significativamente melhores que o tratamento convencional isolado. Os autores alertam que os estudos incluídos são heterogêneos em dose, duração e população, e que ainda faltam dados de longo prazo sobre crises, tofos e dano articular — os desfechos que realmente importam clinicamente.
Vitamina C: efeito modesto, mas consistente
Na mesma metanálise, vitamina C na dose de 500 mg/dia reduziu o ácido úrico de forma significativa, ainda que mais modesta que ácido fólico e probióticos. Vitamina C também reduziu malondialdeído (MDA), um marcador de estresse oxidativo — relevante já que hiperuricemia costuma vir acompanhada de maior estresse oxidativo sistêmico.
Curcumina: benefício cardiometabólico, não direto sobre o ácido úrico
Curcumina não reduziu ácido úrico diretamente nos estudos incluídos, mas mostrou redução significativa de LDL — relevante porque hiperuricemia e gota costumam vir acompanhadas de risco cardiovascular aumentado. O papel da curcumina aqui é mais de suporte metabólico geral do que de tratamento específico da gota.
Panorama mais amplo: evidência ainda inconclusiva
Uma revisão sistemática de 2025, que analisou 27 ensaios sobre dieta e suplementos (incluindo suco de cereja, ômega-3, vitamina C e fórmulas de medicina tradicional chinesa), concluiu que os resultados são mistos e frequentemente contraditórios — alguns estudos mostram melhora do ácido úrico e das crises, outros não mostram efeito algum, e vários relatam eventos adversos. A conclusão dos autores é direta: a evidência atual para dieta e suplementos específicos no manejo da gota é inconclusiva, com benefícios apenas modestos em intervenções selecionadas.
Como pensar sobre isso
Perda de peso, redução de álcool (especialmente cerveja) e bebidas açucaradas, e ajuste de dieta continuam sendo a base do manejo não medicamentoso. Suplementos podem ser discutidos como coadjuvantes, nunca como substitutos de avaliação médica — especialmente porque hiperuricemia crônica não tratada pode evoluir para tofos e dano articular permanente.