Condição · revisão editorial

Cólicas menstruais

Cólicas menstruais (dismenorreia) primárias causam dor pélvica cíclica por contrações uterinas. Uma revisão Cochrane conclui que não há evidência de alta qualidade para nenhum suplemento, mas gengibre e ômega-3 têm sinal de baixa qualidade favorável para redução da dor.

Revisado por equipe editorialAtualizado em 23 jul 2026

Visão geral

O que sabemos até aqui.

A dismenorreia primária é a dor pélvica cíclica associada à menstruação, sem doença pélvica identificável — diferente da dismenorreia secundária, causada por endometriose, miomas ou outras condições. As contrações uterinas mediadas por prostaglandinas explicam boa parte da dor.

O panorama geral: evidência de baixa qualidade para todos os suplementos

A revisão Cochrane mais completa sobre suplementos dietéticos para dismenorreia reuniu 27 ensaios randomizados com 3.101 mulheres, testando 12 fitoterápicos e 5 suplementos não herbáceos. A conclusão central foi clara: não há evidência de alta qualidade que sustente o uso de nenhum suplemento para dismenorreia, principalmente por causa de amostras pequenas e ensaios únicos para a maioria das comparações.

Gengibre: o suplemento mais estudado

Uma metanálise específica de 2020 com 9 estudos e 647 mulheres encontrou redução significativa da intensidade da dor com gengibre comparado a placebo. A revisão Cochrane também identificou gengibre como um dos suplementos com evidência (de baixa qualidade) mais consistente entre 3 ensaios e 266 mulheres.

Ômega-3: efeito grande, mas qualidade de estudo neutra

Uma metanálise de 2023 com 12 estudos e 881 mulheres encontrou efeito grande do ômega-3 na redução da dor menstrual (300-1.800 mg/dia por 2-3 meses), com 86% dos estudos que mediram uso de analgésicos mostrando redução. A maioria dos estudos, porém, foi classificada como de qualidade neutra, não alta.

Como pensar sobre isso

A ausência de evidência de alta qualidade não significa que os suplementos não funcionem — significa que os estudos disponíveis são pequenos e heterogêneos. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) continuam sendo a opção com evidência mais robusta para dismenorreia primária. Dor que não melhora com esses tratamentos, ou que piora progressivamente, merece investigação para excluir causas secundárias como endometriose.

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ATENÇÃO MÉDICA

Quando procurar ajuda.

Procure avaliação ginecológica se a dor for progressivamente pior, não responder a anti-inflamatórios, começar após os 25 anos sem histórico prévio, vier acompanhada de sangramento intenso, dor durante relações sexuais, ou dor fora do período menstrual — esses sinais podem indicar endometriose, miomas ou outra causa secundária que exige investigação e tratamento específico.

Síntese de evidências

Fontes vinculadas.

Papel dos suplementos

Intervenções avaliadas para esta condição.

A conclusão pertence a cada par.

A força e a direção abaixo descrevem este suplemento especificamente para cólicas menstruais. Benefício em outro objetivo não é transferido automaticamente para esta condição.

Além da conclusão, cada card informa a população, os desfechos e a duração estudados. Isso torna claro o que foi realmente testado — e o que ainda não foi demonstrado.

BaixaFavorável

Gengibre

Gengibre é o suplemento com o sinal mais consistente entre duas revisões sistemáticas independentes: uma revisão Cochrane ampla e uma metanálise específica de 9 estudos e 647 mulheres, que encontrou redução significativa da intensidade da dor comparado a placebo. A qualidade da evidência é considerada baixa a moderada pelos revisores.

O que foi estudado: Mulheres com dismenorreia primária, principalmente estudantes universitárias.

Como o resultado foi medido: Intensidade da dor menstrual (escala visual analógica).

Janela dos estudos: Durante os primeiros 3-4 dias da menstruação, por 1 a 3 ciclos. Portanto, esta leitura descreve a média observada nesse período, não uma garantia de resposta individual ou de benefício de longo prazo.

Amostra
9 estudos e 647 mulheres na metanálise específica; 3 ensaios e 266 mulheres na revisão Cochrane.
Dose estudada
Cápsulas de gengibre em pó, geralmente 250 mg 4x/dia, iniciadas nos primeiros dias do ciclo menstrual.
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BaixaFavorável

Ômega-3

Uma metanálise de 12 estudos e 881 mulheres encontrou efeito grande do ômega-3 na redução da dor menstrual, com a maioria dos estudos que avaliaram uso de analgésicos mostrando redução do consumo. A qualidade metodológica da maior parte dos estudos incluídos foi classificada como neutra, não alta, o que pede cautela na magnitude exata do efeito.

O que foi estudado: Mulheres com dismenorreia, a maioria com diagnóstico primário.

Como o resultado foi medido: Intensidade da dor menstrual e uso de analgésicos.

Janela dos estudos: 2 a 3 meses. Portanto, esta leitura descreve a média observada nesse período, não uma garantia de resposta individual ou de benefício de longo prazo.

Amostra
12 estudos, 881 mulheres.
Dose estudada
300 a 1.800 mg/dia de ácidos graxos ômega-3 de cadeia longa.
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Muito baixaFavorável

Zinco

A revisão Cochrane identificou sinal de baixa qualidade favorável ao sulfato de zinco em um único ensaio randomizado, sem diferença significativa quando comparado diretamente ao gengibre. Por se tratar de apenas um estudo, a confiança nessa estimativa é muito baixa.

O que foi estudado: Mulheres com dismenorreia primária.

Como o resultado foi medido: Intensidade da dor menstrual.

Janela dos estudos: Durante o período menstrual, conforme o ensaio. Portanto, esta leitura descreve a média observada nesse período, não uma garantia de resposta individual ou de benefício de longo prazo.

Amostra
1 ensaio randomizado, 99 mulheres.
Dose estudada
Sulfato de zinco; dose e formulação não padronizadas para dismenorreia.
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