A dismenorreia primária é a dor pélvica cíclica associada à menstruação, sem doença pélvica identificável — diferente da dismenorreia secundária, causada por endometriose, miomas ou outras condições. As contrações uterinas mediadas por prostaglandinas explicam boa parte da dor.
O panorama geral: evidência de baixa qualidade para todos os suplementos
A revisão Cochrane mais completa sobre suplementos dietéticos para dismenorreia reuniu 27 ensaios randomizados com 3.101 mulheres, testando 12 fitoterápicos e 5 suplementos não herbáceos. A conclusão central foi clara: não há evidência de alta qualidade que sustente o uso de nenhum suplemento para dismenorreia, principalmente por causa de amostras pequenas e ensaios únicos para a maioria das comparações.
Gengibre: o suplemento mais estudado
Uma metanálise específica de 2020 com 9 estudos e 647 mulheres encontrou redução significativa da intensidade da dor com gengibre comparado a placebo. A revisão Cochrane também identificou gengibre como um dos suplementos com evidência (de baixa qualidade) mais consistente entre 3 ensaios e 266 mulheres.
Ômega-3: efeito grande, mas qualidade de estudo neutra
Uma metanálise de 2023 com 12 estudos e 881 mulheres encontrou efeito grande do ômega-3 na redução da dor menstrual (300-1.800 mg/dia por 2-3 meses), com 86% dos estudos que mediram uso de analgésicos mostrando redução. A maioria dos estudos, porém, foi classificada como de qualidade neutra, não alta.
Como pensar sobre isso
A ausência de evidência de alta qualidade não significa que os suplementos não funcionem — significa que os estudos disponíveis são pequenos e heterogêneos. Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) continuam sendo a opção com evidência mais robusta para dismenorreia primária. Dor que não melhora com esses tratamentos, ou que piora progressivamente, merece investigação para excluir causas secundárias como endometriose.