Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que causa falta de ar, chiado e tosse, tratada com medicação broncodilatadora e anti-inflamatória. É uma das condições em que vale mostrar como a evidência científica pode mudar com o tempo — e por que isso é normal, não motivo de desconfiança da ciência.
Vitamina D: a evidência mudou de direção com mais estudos
Uma revisão Cochrane de 2016, reunindo dados de 3 estudos com 680 participantes, encontrou uma redução clinicamente e estatisticamente significativa na taxa de crises de asma que exigiram corticoide sistêmico, com evidência classificada como de alta qualidade. Esse resultado gerou bastante entusiasmo na época. Mas a atualização dessa mesma revisão em 2023, incorporando 20 ensaios com 2.225 participantes (quase o triplo de dados), não confirmou o benefício: não houve redução no risco de crises (razão de chances 1,04) nem no tempo até a primeira crise. Esse é um exemplo de como revisões Cochrane são atualizadas à medida que mais dados chegam, e por que a conclusão inicial, mesmo que promissora, precisa ser tratada como provisória.
Ômega-3: sem redução na incidência de asma em crianças
Uma metanálise de 5 ensaios randomizados avaliando suplementação de ômega-3 na infância não encontrou redução significativa na incidência de asma ou episódios de chiado, comparado a placebo.
Como pensar sobre isso
Este é um bom lembrete de que resultados promissores de revisões com poucos estudos podem não se confirmar quando mais dados chegam — o que aconteceu aqui com a vitamina D não foi um erro, foi o processo científico funcionando como deveria. Hoje, nem vitamina D nem ômega-3 têm evidência robusta de benefício específico para asma. Isso não significa evitá-los por outros motivos de saúde, apenas não esperar que controlem a asma. O tratamento medicamentoso prescrito continua sendo a base do controle da doença.