A infecção por Helicobacter pylori é tratada com antibioticoterapia combinada (terapia de erradicação), e suplementos não substituem esse tratamento. O papel realista de suplementos aqui é de apoio: aumentar a chance de sucesso do tratamento e reduzir os efeitos colaterais gastrointestinais comuns dos antibióticos usados.
Probióticos: aumentam a taxa de erradicação e reduzem efeitos colaterais
Uma metanálise de 8 ensaios randomizados com 1.087 pacientes encontrou que a suplementação com probióticos (majoritariamente com Lactobacillus reuteri) junto com a terapia de erradicação aumentou a taxa de sucesso do tratamento de 72,6% para 80,0% (NNT de 14), melhorou os sintomas gastrointestinais durante o tratamento, e reduziu significativamente a incidência de efeitos colaterais dos antibióticos.
N-acetilcisteína: uso popular sem confirmação de benefício
Apesar de ser promovida como forma de “quebrar o biofilme” bacteriano e potencializar antibióticos, uma metanálise de 8 ensaios com 1.167 pacientes encontrou que adicionar N-acetilcisteína à terapia padrão não aumentou de forma estatisticamente significativa a taxa de erradicação (76,1% vs. 72,2%), com heterogeneidade moderada a alta entre os estudos. É um exemplo de suplemento com uso popular que, até agora, não tem confirmação sólida de benefício nessa aplicação específica.
Como pensar sobre isso
Probióticos (especialmente com cepas de Lactobacillus) têm o sinal mais consistente como adjuvante do tratamento de H. pylori — mais tolerabilidade e uma taxa de erradicação um pouco maior. N-acetilcisteína, apesar do mecanismo biológico plausível e do uso popular, ainda não tem essa confirmação em ensaios clínicos. O ponto central continua sendo completar corretamente o esquema antibiótico prescrito.