RASCUNHO EDITORIAL — conteúdo educativo, sujeito a revisão clínica antes de publicação.
Visão geral
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ocorre quando o conteúdo do estômago volta para o esôfago de forma recorrente, causando azia, regurgitação e, às vezes, tosse ou dor no peito. Inibidores de bomba de prótons (como omeprazol) são o tratamento padrão; mudanças de hábito (peso, refeições, posição ao dormir) também ajudam. A base de suplementos com ensaios clínicos diretos para DRGE ainda é pequena comparada a outras condições digestivas.
Em linguagem simples
Diferente de condições como colesterol ou pressão arterial, poucos suplementos têm ensaios clínicos desenhados especificamente para sintomas de refluxo em adultos. A melatonina é a exceção com dados mais diretos; outros candidatos frequentemente citados (como probióticos) têm evidência mais indireta, vinda de estudos sobre outros desfechos digestivos.
O que as sínteses recentes sugerem
Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, de 2023 testou melatonina sublingual (3 mg/dia) associada a omeprazol frente a omeprazol isolado em 78 pacientes com DRGE. Após 4 semanas, o grupo com melatonina teve redução significativamente maior de azia, dor epigástrica e do escore de frequência de sintomas, além de melhor qualidade de vida.
Um ensaio mais antigo, de 2006, comparou uma fórmula combinando melatonina, triptofano, vitaminas do complexo B e aminoácidos com omeprazol isolado, sem grupo placebo. Todos os pacientes do grupo da fórmula relataram regressão completa dos sintomas em 40 dias, contra 65,7% no grupo omeprazol. É um resultado chamativo, mas vem de um estudo simples-cego, mais antigo, com uma fórmula de múltiplos ingredientes — não permite atribuir o efeito à melatonina isolada, e pede confirmação por estudos mais recentes e rigorosos.
Para probióticos, não há ainda ensaios robustos desenhados especificamente para sintomas de refluxo em adultos fora do contexto de erradicação de H. pylori ou disbiose intestinal. Estudos nesse contexto sugerem melhora de sintomas digestivos gerais (incluindo refluxo) como efeito secundário, mas essa evidência é indireta e não deve ser lida como prova de eficácia específica para DRGE.
Segurança e quando procurar ajuda
Procure avaliação médica diante de dificuldade para engolir, perda de peso não intencional, sangramento (vômito com sangue ou fezes escuras), dor no peito que possa ser cardíaca, ou sintomas que não melhoram com tratamento padrão — a DRGE não tratada pode levar a complicações no esôfago. Melatonina é geralmente bem tolerada em curto prazo, mas deve ser usada como complemento ao tratamento prescrito, nunca como substituto do inibidor de bomba de prótons sem orientação médica.
Referências principais
- Malekpour H, et al. Is the Addition of Sublingual Melatonin to Omeprazole Superior to Omeprazole Alone in the Management of Gastroesophageal Reflux Disease Symptoms: A Clinical Trial. Turkish Journal of Gastroenterology. 2023;34(12):1206-1211. DOI: 10.5152/tjg.2023.23021. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37768310/
- Pereira RS. Regression of gastroesophageal reflux disease symptoms using dietary supplementation with melatonin, vitamins and aminoacids: comparison with omeprazole. Journal of Pineal Research. 2006;41(3):195-200. DOI: 10.1111/j.1600-079X.2006.00359.x. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16948779/